25 de mai de 2010

Como alcançar a misericórdia de Deus?


Leiamos os seguintes textos:
“Ó Senhor Deus, quem tem o direito de morar no teu Templo? Quem pode viver no teu monte santo? Só tem esse direito aquele que vive uma vida correta, que faz o que é certo e que é sincero e verdadeiro no que diz. Ele não fala mal dos outros, não prejudica os seus amigos e não espalha boatos a respeito dos seus vizinhos. Ele despreza aqueles que o Senhor rejeita, mas trata com respeito os que o temem. Ele cumpre o que promete, mesmo com prejuízo próprio, empresta sem cobrar juros e não aceita suborno para ser testemunha contra pessoas inocentes. Aquele que age assim estará sempre seguro”. (Salmo 15 - NTLH)
“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia”. (Provérbios 28:13 – RA)


COPEIRO DO REI escreve...
O que um texto tem com o outro? Eles se respondem. A bíblia está intercalada, embora tenhamos suas divisões de tempo e profecias. São 66 livros, mas um só objetivo, inspirado por um só Espírito. Com isso, tecerei sobre o assunto do arrependimento humano e a misericórdia de Deus. Um amigo pregador disse certa feita: “O homem não irá para o inferno porque é um pecador, mas porque rejeitou o perdão de Deus”. Assiste razão às suas palavras. Todo homem foi destituído da glória de Deus e carece da salvação em Cristo. Apenas o sacrifício de Cristo pode assegurar a eternidade celestial.
É-nos importante salientar que para habitar com Deus só é possível se o indivíduo estiver totalmente inculpável. Jesus é o nosso único mediador e feito justiça de Deus. Através e por causa dele podemos morar com Deus. Ele é o nosso expiador. Tomou sobre si nossas dores e enfermidades. Todo o empecilho que minava nossa comunhão com Deus, pôde ser destruído na cruz do calvário em Cristo Jesus.
Qual é, então, nosso questionamento? O Salmo 15 diz que a relação para consigo mesmo (v 2), para com o próximo (v 3) e para com Deus (vs 4,5) precisam estar em harmonia. Caso contrário, não haverá chance alguma de ir para o céu. Não há contradição em dizer que Cristo é aquele que assumiu nossas culpas e que seremos salvos tão-somente pela sua maravilhosa Graça. Todavia, aquele que não exterioriza esse recebimento da graça, não tem consigo a salvação de Cristo.
Quando Tiago, por exemplo, diz que a fé sem obras é morta, revela que a salvação sem esse batismo de obras, é enganosa. Paulo diz aos efésios que não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras. Aquele, portanto, que interioriza sua fé não tem fé. O homem precisa demonstrar que seu batismo real é sua vida em sociedade comungando com o Deus da salvação.
Como podemos alcançar essa misericórdia de Deus, aceitando assim, a salvação em Cristo Jesus? Deixando. O quê? A velha vida, a velha forma de pensar, a velha história. Deus é o Senhor do novo. O Evangelho significa “Boas Novas”, “Boas Notícias”. Jesus é tido como o “Renovo”. Ele mesmo diz: “Eu faço nova todas as coisas”. A Bíblia diz que aquele que abriu seu coração para o Evangelho, agora vive em “novidade de vida”. “As coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”. É o “novo nascimento”! E só se pode nascer de novo se houver essa perda, esse deixar. O perdão é algo que se alcança.

Vejamos alguns pontos práticos visando o salmo 15:

Em relação a si:
“Só tem esse direito aquele que vive uma vida correta, que faz o que é certo e que é sincero e verdadeiro no que diz”. (v2)
A Teologia é necessária não somente para o conhecimento de Deus, mas como diz James Houston, para o conhecimento de si mesmo. Você se conhece a tal ponto de poder - sem nenhum complexo de inferioridade ou superioridade, ou até mesmo de pessimismo e otimismo – dizer: “Eu consigo”; ou “Eu não consigo”...? O Salmo está descrevendo que o homem que pode habitar na casa de Deus é aquele que tem domínio próprio. O que se conhece, o que se controla, o que preza seu nome, o que vive aquilo que prega. Esse desconhece a contradição de si mesmo. O homem que tem domínio próprio tem o Espírito, porque esse é um dos que compõe o Fruto do Espírito.
Aquele que se conhece sabe seu limite e o que pode firmar em compromisso. Ele não despreza o conselho nem mancha seu caminho com o prazer transitório do pecado. Sua vida é correta, suas atividades acertam o alvo, há verdade em suas palavras, é sincero e puro de coração.
O conhecimento de si é uma das coisas mais importantes na Teologia. Conhecendo meu coração, conheço minhas falhas e procuro corrigi-las; conheço meus enganos e mentiras e converto-os à Verdade que liberta. Quando estou diante de mim mesmo, posso dizer: “Sou imagem e semelhança de Deus”. Soren K. disse: “Quanto mais próximo de Deus, mas me pareço comigo mesmo”.

Em relação ao próximo:
“Ele não fala mal dos outros, não prejudica os seus amigos e não espalha boatos a respeito dos seus vizinhos”. (v3)
Não tem como amar o próximo se eu não amo a mim mesmo. Por isso o primeiro ponto falou sobre minha responsabilidade para comigo. Essa segunda relação é extremamente delicada. Só habita no monte santo do Senhor aquele que aprendeu a dar habitação ao próximo no coração. Esse é o salmo conhecido também como o salmo do hóspede de Deus. Deus hospeda no Templo seus adoradores. Um hóspede valia mais que uma filha virgem dentro de casa. Hospedar o próximo é não falar contra ele, mas oferecer-lhe o necessário para um bom descanso. Hospedar o próximo é não prejudicá-lo, não difamar seu nome, não ser um fofoqueiro. Hospedar o próximo é agir com ele da mesma forma em que eu gostaria que agissem comigo.
O Antigo Testamento diz: “Não faça o que não queres que façam a ti”. Jesus ensina: “Faça aquilo que desejas que façam a ti”. O propósito de Jesus é a ação. O Evangelho é o Evangelho do primeiro passo, do assumir de riscos, do abrir as portas, do dar a outra face.

Em relação a Deus:
“Ele despreza aqueles que o Senhor rejeita, mas trata com respeito os que o temem. Ele cumpre o que promete, mesmo com prejuízo próprio, empresta sem cobrar juros e não aceita suborno para ser testemunha contra pessoas inocentes. Aquele que age assim estará sempre seguro”. (vs4,5)
O homem seguro é o que habita no monte santo do Senhor. E quem é o homem seguro? É aquele cujo sentimento é voltado para as entranhas de Deus. Ele se preocupa com o que Deus pensa e da forma em que Deus age diante o mundo. Ele estabelece no seu íntimo o Absoluto de Deus. Para esse homem, o que Deus fala amém é amém.
Procura agir como Deus age; procura cumprir sua palavra demonstrando fidelidade, mesmo com prejuízo, porque o nome que está em jogo não é mais o seu, mas o de Deus; já não empresta com o intuito de receber, mas aprendeu a dar, como Deus; não se vende; é justo. E por isso, seguro está.

Conclusão:
É preciso deixar para alcançar a misericórdia de Deus. Trevas e luz não têm comunhão uma com a outra. Viver o Evangelho é viver no fio da navalha, como diz Houston. Há que se ter coragem para abandonar a velha vida, os velhos critérios e, ignorantemente, aceitar a proposta de Deus. O conhecimento, como já diz um velho amigo, vem com o tempo.

NA GRAÇA, QUE ME PERMITE ALCANÇAR
LELLIS

Um comentário:

Morgana Folly disse...

Nossa, que texto!Falou muito comigo e me mostrou o quanto ainda tenho que negar a mim mesma para que essa Graça tão grande seja notória através de minha vida...
Que Deus continue a te abençoar...
Abraço :)