Copeiro do Rei escreve...
Leia Daniel 6; 10:12 antes de acompanhar este texto...
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A Bíblia é um livro de histórias magníficas. Porém, as histórias bíblicas não servem para entreter-nos numa noite de insônia ou para cumprir alguma obrigação devocional. As passagens servem como motivação para querermos agir da mesma forma que os heróis da fé agiram. Assim, nossa vida será uma vida bíblica, ou seja, que tem em seu currículo passagens do sobrenatural de Deus. Não há como nos identificarmos com a Bíblia se não vivemos a Bíblia. Obviamente que, em nosso contexto, não precisaremos entrar em covas de leões ou andar sobre as águas, mas precisaremos da mesma confiança que esses homens tiveram para passarmos por qualquer vale da sombra da morte.
Daniel estava na Babilônia porque o povo de Deus estava se curvando a ídolos e deixando que a religião se contaminasse com o modismo do mundo. O coração do povo de Deus estava ficando enferrujado com o pecado. Daí, o Senhor, com toda a sua misericórdia e compaixão, escolhe uma nação ímpia para corrigir, disciplinar os seus escolhidos. Sim, porque se pararmos para pensar, até nesta ação Deus demonstra amor. Ele bem poderia ter aniquilado uma vez por todas aquele povo de dura cerviz. Embora seu compromisso não fosse com homens, mas com sua Palavra, ele poderia deixar apenas Daniel, seus três amigos e mais alguns profetas.
Deus é bom quando disciplina e a Igreja precisa aprender que há disciplina apenas para aqueles que são filhos de Deus. Portanto, você que vive em pecado e não é disciplinado, desconfie da sua conversão.
Daniel era um jovem aplicado. Desde cedo demonstrou interesse em agradar somente a Deus não se contaminando com a comida oferecida a ídolos. Isto fez com que ficasse mais forte do que aqueles que comiam fartamente à mesa do rei ímpio.
Certa feita, o rei Dario escolheu 120 homens para serem governadores de províncias. Destes 120, três foram escolhidos como presidentes; um deles era Daniel. E por ser excelente, os demais ficaram cheios de inveja que quiseram acusá-lo de alguma coisa, mas nada acharam nele. Então resolveram pedir para que o rei assinasse um decreto para que todo homem, no espaço de trinta dias, ficasse sem pedir nada a qualquer deus a não ser ao próprio rei. Ou seja, sem orar a Deus, sem ouvir Deus em oração, sem se deliciar na comunhão com Deus por um mês. Caso este decreto fosse quebrado, aquele que assim o fez, será lançado na cova dos leões.
No mesmo dia em que tudo isso aconteceu, Daniel, exilado, distante de sua terra, familiares dispersos, não pensa em outra coisa a não ser entrar no seu quarto onde as janelas ficavam abertas em direção à Jerusalém e fechar a porta, prostrar-se diante de Deus e continuar a fazer o que sempre fez: orar e dar graças a Deus. Ele não faz nada de diferente dos demais dias. Daniel não oscila na sua caminhada com Deus. Ele sabe que o povo inteiro está sendo disciplinado e não pode perder a oportunidade de dizer a Deus que seus joelhos continuarão dobrados diante de um só.
Você pode se perguntar: “Mas Daniel poderia muito bem orar baixinho em seu quarto e continuar sua vida de governador”. Daniel não separava sua vida devocional da profissional. Para ele, tudo era Deus. Ele havia chegado a este posto não só devido seu espírito de excelência, mas por buscar ser excelente diante de Deus. Ele não poderia dizer sim para Deus somente às escondidas e ajoelhar-se fazendo súplicas ao rei de uma nação ímpia para todo mundo ver. Daniel buscava ser diante dos homens aquilo que era diante de Deus. Isso era inegociável para ele.
Daniel era um jovem inteligente. Muitas comunidades creem que a cultura e a sabedoria teológica inibem os joelhos dobrados. Mas se olharmos para a história bíblica (e o segredo para o futuro da igreja está em recuperar o passado) encontraremos homens cheios de conhecimento e também cheios da comunhão com o Espírito Santo. Notemos:
Abraaão era um homem de intercessão. Foi por causa de sua intercessão que Ló foi poupado da tragédia que desabou sobre Sodoma e Gomorra. Seu neto, Jacó, orou com lágrimas, intensidade e perseverança dizendo: “Se Tu não me abençoares, eu não te deixarei ir”. Moisés, o maior líder do povo de Deus, um homem de cultura enciclopédica, de cultura peregrina, de mente prismática, um líder sem paralelos; por causa da sua intercessão a nação peregrina não pereceu no deserto. Josué, um líder com rosto em terra pedindo clemência a Deus em favor do seu povo. Samuel, o maior Juiz que Israel já teve, em um momento dramático da história ergueu sua voz: “Longe de mim pecar contra o meu Deus e deixar de orar em favor de vós”. Neemias, um estrategista, um reformador, que coloca a causa do seu povo com veemência diante de Deus.
E aqui está Daniel. Segundo Hernandes Dias Lopes, talvez um dos homens mais extraordinários da história da humanidade, que ora, jejua e faz com o céu se mova com suas súplicas.
Jesus, no Getsêmane orando com soluços e muitas lágrimas; no rio Jordão os céus se abriram; no deserto triunfando sobre satanás; se distanciando da multidão para os montes solitários em busca da face do Pai; orando a noite inteira para tomar as decisões mais importantes do seu ministério; na cruz; no Trono da Graça intercedendo por nós.
A primeira prova que deram da conversão de Paulo foi: “Ele está orando”. Paulo orava com jejuns, nas praias, nas sinagogas, nas casas, doente ou com saúde, preso, com muito e com pouco, em todas as circunstâncias.
Existe uma nuvem de testemunhas sobre a oração. Agora, podemos ir para a história da Igreja e encontrarmos os Pais da Igreja orando: Policarpo, Irineu, Crisóstomo, Agostinho.
Os pré-reformadores oravam. Notemos:
John Wicliffe. John Huss. Através das orações e mensagens de Jerônimo Savonarola a cidade onde estava foi profundamente tocada, sensibilizada.
Os reformadores oravam com intensidade. Notemos:
Lutero. Calvino. Zwínglio. John Knox. A rainha da Escócia temia mais as orações de Knox do que dos exércitos da Inglaterra. Knox ficava noites e mais noites em oração. Quando sua mulher o vinha chamar para se alimentar dizia: “Como posso comer se o meu país está perecendo? Ó Senhor, dá a Escócia para Jesus se não eu morro!” Em 1559 o país estava dominado pelo Catolicismo Romano, e em 1560, um ano depois, o Parlamento havia adotado o Presbiterianismo como religião daquele país pela influência poderosa das orações de John Knox.
O que fazer durante 30 dias sem orar? Até que ponto você e eu acreditamos na oração? A oração define nossa vida diante do mundo; a oração define o mundo diante de Deus.
Perguntaram a Dwight Lyman Moody: “o que faria se este fosse o último dia de nossas vidas?” Ele respondeu: “Continuarei fazendo o que sempre fiz”. Foi justamente o que Daniel fez. Muitos só intensificam suas vidas de oração quando estão prestes a entrar na cova dos leões, quando estão sabendo que a cova da injustiça está rodeando, quando a cova da má notícia foi anunciada, quando a cova das drogas e da prostituição engoliu o filho, quando o cônjuge está com pensamentos de abandonar o lar e deixar para você uma casa como uma cova solitária, quando a cova do desemprego escurece sua visão de uma perspectiva melhor, quando a cova da desesperança grita contra a sua fé questionando “onde está o teu Deus?”...
Ninguém poderá se safar das covas da vida. Seja ele justo ou não. Aquele que antes não entra no seu quarto para orar não sairá ileso quando entrar na cova dos leões.
Existem covas permitidas por Deus. Existem covas em que mergulhamos por escolhas erradas.
Deus permitiu a cova da humilhação e do desprezo na vida de José para que depois José pudesse poupar sua família da fome. Deus permitiu a cova do sofrimento na vida de Jó para que satanás fosse humilhado mais uma vez e para que conhecesse verdadeiramente ao seu Deus. Daniel experimentou a cova dos leões por ser fiel a Deus e viu os leões famintos ficarem emudecidos diante de seu corpo que poderia ser o alimento que os saciaria.
Por outro lado, vemos o jovem rico decidindo-se pela cova do “quase salvo” por não querer amar mais a Jesus do que suas riquezas. Judas, que afundou na cova da traição, da amargura e do suicídio por não conseguir perdoar-se. Pedro, que caiu na cova da negação e da tristeza por achar-se confiante demais. Ananias e Safira que conheceram a cova da morte por mentirem ao Espírito Santo. A Igreja de Éfeso que caiu na cova da mecanização da obra do Senhor por perder a fórmula principal de todas as coisas: o amor. A Igreja de Laodicéia que foi abraçada pela cova da mornidão espiritual.
Podemos ser levados por Deus para as covas. Sendo assim, veremos maravilhas e aprofundaremos nossa compreensão do Deus a quem servimos. Também podemos nos levar para covas caiadas que parecem ser tão chamativas, mas ao decidirmos entrar, não teremos nada além de escuridão e o inimigo querendo nos devorar.
E não podemos pensar em leões cinematográficos. Eram animais famintos, esqueléticos, mas extremamente fortes e viciados por sangue capazes de acabar com uma vida humana em segundos.
Sob ameaças somos desafiados a não termos comunhão com Deus. O mundo com a sua essência, que é o pecado, nos assedia tenazmente. São perseguições e lutas maiores que nós. E mesmo sendo um cristão, se não estiver em comunhão com o Senhor estará aberto ao fracasso. Estará aberto às influências malignas. Estará fadado a etapas de derrota.
Por isso, ninguém pode querer ser um cristão fiel só diante da porta, na boca da cova. Ninguém consegue resistir aos leões estando desarmado. Ninguém, que antes tenha passado pelo quarto, tem poder para passar pela cova. Ninguém se safa dos leões famintos com um chicote e uma cadeira. É impossível querer dominá-los e domá-los. Eles estão decididos a fazer uma coisa só: atacar.
Da mesma forma em que estamos nesta terra cujo príncipe é satanás, Daniel estava em Babilônia, distante da liberdade de culto. Mas sua vida de culto era diária. Seu tempo de oração era de acordo com os períodos dos sacrifícios no Templo: manhã, tarde e noite.
O apóstolo Pedro, em sua primeira carta, exorta aos cristãos a permanecerem firmes contra o leão que ruge. Ele faz uma referência ao imperador Nero, concomitantemente, passa a ser a figura do próprio satanás neste período. Assim, a cultura de interpretação bíblica se dispôs acreditar que este leão é satanás. O que ruge, mas não pode tocar. Ora, no contexto bíblico, Nero prendia muitos cristãos, usava-os como diversão nas arenas, pendurava seus corpos como tochas acesas para alumiar as ruas. Ainda assim, Pedro dizia: “O diabo é como leão que ruge procurando alguém para devorar”. E ele devora. É o trabalho dele: matar, roubar, destruir.
Mas aquele que tem um Bom Pastor, deve se preocupar apenas em andar humildemente com este Deus, porque Ele mesmo tem poder suficiente para enfrentar os leões da covas em que fomos colocados para que saiamos sem nenhum arranhão.
Podemos estar numa cova onde não conseguimos enxergar um palmo à frente do nariz, cercados de leões, mas se aprendermos a aplicar o coração e a humilharmos diante de Deus, e somente de Deus, nossas palavras serão ouvidas e ele enviará um anjo.
Na cova dos leões, os leões não podem vencer o Leão da Tribo de Judá. Mesmo que estejamos em covas escuras, perigosas cuja porta descreva: “este é o terreno do inimigo”, os leões não têm poder diante do Leão.
Não se curve a ameaças, não lamente por ser fiel e estar passando por situações difíceis. Não questione a Deus, mas dê graças, como Daniel fazia. Continue sua vida. Deus é contigo. Oração contínua significa vida com o Leão.
Em que a oração ajudou Daniel? 1º) Daniel sempre esteve confiante; 2º) Daniel experimentou o milagre de Deus; 3º) Daniel se fortaleceu para a próxima batalha.
O que resultou a vida de oração de Daniel? Daniel deu seu testemunho.
Diante de tudo podemos aprender que não se pode abrir mão do essencial não só nos momentos de contrários, mas em todo o momento.
NA GRAÇA
LELLIS